Arquivar para janeiro de 2008
o menino, as letras e a luz
Postado por antonio//jr como Pessoal em 21 de janeiro de 2008
Eu via a mãe com a filha no balancinho, o pai com o filho nos ombros. Meninas que não deveriam ter mais de 10 anos com seus vestidos rodados e seus laços na cabeça. Eu pensava, Há algo errado/Porque essas meninas estão de vestido para brincar no parque?/Elas vão se sujar.
Olhando mais fundo, vi um garoto, embaixo de uma árvore. Ele usava suspensórios, gravata borboleta, cabelo com gel repartido milimetricamente perfeito. Sentado como índio, ele não era atingido pela luz do sol e não interagia com ninguém. Tentava esticar as pernas mas quando o sol as tocava, ele as retraia novamente. Ele ria e olhava pra cima, para os lados, como se estivesse desconfiado. Na mão dele não dava para ver bem o que tinha, mas pareciam letras e luzes. Ele as embaralhava e alternava entre as suas mãos. Tentava formar frases mas parecia difícil pois a luz vermelha em sua mão esquerda caía o tempo todo, e ele perdia a concentração. E, se alguém chegasse, se aproximasse, ele escondia a luz e respirava aceleradamente. Ficava tenso.
“Me deixe segurar essa luz para você”, disse um senhor, com os cabelos bem brancos e bigode. O garotinho respondeu “A luz? Não posso. Se você quiser segurar as letras, eu deixo.” O senhor, deu um sorriso e disse “Mas é somente uma luz, assim você poderá brincar melhor com suas letras ou com as outras crianças”. Desconcertado, o garotinho respondeu “Talvez para o senhor seja apenas uma luz, mas para mim é muito mais. Leve as letras, mas me deixe à luz.”
O senhor, espantado com a postura do garoto, insistiu “Por que ela é tão importante para você?” O garoto respirou fundo e largou as letras para colocar sua minúscula mão no rosto do velhinho. “Todos neste parque estão focados somente em uma coisa ou brincando entre si. Eu não, não posso. Agora só tenho uma mão em seu rosto e a outra segurando a minha luz vermelha ainda mais forte. Enquanto ela brilhar, tudo o que eu lhe disser será sincero e jamais estarei sozinho. Do que me adianta as palavras prontas e deixar essa luz apagar porque me esqueci de cuidá-la?”, disse o menino.
O garoto levantou, e com um leve sorriso tímido deu um beijo na testa do senhor e foi embora. As letras ficaram espalhadas no chão. O senhor, trêmulo, tentou formar alguma palavra mas não conseguia. Naquele momento, um sentimento familiar preencheu o vazio que há muito tempo roncava em seu peito e percebeu que aquela luz não era uma simples luz. Aquela luz era o amor em sua forma mais radiante, pura e verdadeira.
quem eu sou
Postado por antonio//jr como Pessoal em 16 de janeiro de 2008
Sou o filho de Elisa, uma mulher única que anulou a própria vida pelo sucesso alheio e para construir uma família. Embora não reconhecessem isso e quase destruída, ela superou os desafios e dignamente conseguiu criar três filhos e uma prima com todo amor, carinho e honestidade. Sou abençoado por ser um deles.
Sou formado em propaganda, mas no iG trabalho com internet – o que sempre realmente gostei. Faço freelas de madrugada.
Sou o dono de casa, o pai, o filho, o irmão, o amigo – tudo porque eu escolhi e não virei às costas pra ninguém, afinal, reconheço de onde vim e reconheço quem realmente batalhou na vida para que eu tivesse sucesso.
Também sou o namorado, o integrante do Fab5, que de vez em quando vira 7licious. O estressado, divertido, triste, dorminhoco, sonhador, sincero, perdido, popchiclete, eletrônico, tecnológico.
Em mim, cada célula é formada pela história, a essência de alguém, uma passagem de vida.
Agradeço a todos que me fizeram o bem pois não seria nada sem vocês.
E agradeço ainda mais a vocês, que viraram as costas e não se importaram de causar o mal e me cultivarem o sofrimento, pois fizeram com que eu lutasse – e ainda continuo – para me tornar alguém muito melhor que eu mesmo e alguém muito melhor que cada um de vocês jamais conseguiria ser.
todo dia é halloween
Postado por antonio//jr como Música em 7 de janeiro de 2008
Eu moro com cobras e lagartos e outras coisas que surgem de noite pois pra mim todo dia é halloween e eu desisti de me esconder e comecei a lutar. Eu comecei a lutar. Toda hora, todo lugar e onde quer que eu vá todas as pessoas parecem olhar e encarar, elas dizem “Por que você está vestido como Halloween?, parece tão absurdo e obsceno”. Por que não possa viver minha vida? Por que tenho que acatar os absurdos que me dizem? Por que eles não percebem que são como eu? É o mesmo, é o mesmo no mundo todo. Eu deixo a minúscula mente deles pensar que estão lidando como alguém inferior e me visto desse jeito para mantê-los no mesmo lugar pois todos os dias são halloween, todos os dias. Por que esconder? Por que lutar? Sentimentos de dor melhor para de sentir sentimentos de negação, reprovação. É o mesmo, é o mesmo no mundo todo.
“Everyday is Halloween”, Dangerous Muse