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bengala
Postado por antonio//jr como Pessoal em 18 de abril de 2007
o que eu falo, o que eu penso, o que eu sinto, o que eu preciso, como estou. nada disso nunca importou e não vai importar.
me sinto como uma espécie de ímã de problemas. pessoas chegam, descarregam em mim suas histórias e lamentos, resmungam, não fazem nada pra mudar e depois de estarem felizes e sorridentes, não estão nem aí.
sirvo como uma bengala para as pessoas atenderem suas necessidades.e, como toda bengala, depois que perde a utilidade, fica de lado, atrás de uma porta, sendo devorada por cupins.
mas e quando for a minha vez de precisar de uma bengala? e quando eu acordo e a única coisa que penso é “Deus, como eu queria dormir e dormir e dormir num sonho sem fim”?
agora, sou eu quem preciso de uma bengala. mas, de tanto servir de bengala para quem bem quisesse, eu estou cansado. não posso ser minha própria bengala e não tenho outra bengala em que me segurar.
então, qual a solução? se arrastar? reclamar? não. de jeito nenhum.
como qualquer objeto que se use, eu continuarei sendo a minha bengala e a de quem quiser.
vou quebrar, me machucar, chegar ao limite e ir um pouco mais além. mas, e daí? quem realmente se importa?
no final do dia uma bengala é somente uma bengala. disprovida de qualquer tipo de luxo, emoção e desejo.
retrô?
Postado por antonio//jr como Pessoal em 8 de fevereiro de 2007
Na música, nas roupas, no comportamento.
É visível a necessidade das pessoas de resgatarem as coisas boas que ficaram para trás ou até mesmo aquelas que nunca tivemos contato.
Nessa retrospectiva ao passado, eu venho me perguntando: será que olhando pra trás e valorizando o que ficou, o que fez história, não estamos deixando de fazer a nossa própria história e fechando os olhos ao que temos hoje de valioso e importante?
Quem gosta de passado é museu, não?
espm último round
Postado por antonio//jr como Pessoal em 21 de dezembro de 2006
Dia 13/12 foi o último dia que pisei na ESPM, no 7° semestre.
Depois de meses longos e muito cansativos de faculdade, sem duvida o pior semestre de todos, finalmente posso dizer que estou de férias (da faculdade). Todas as notas saíram no dia 19 e depois de muito estresse, trabalho e correria, mais um semestre se acabou e felizmente sem nenhuma DP.
Em Fevereiro de 2007 começa o último e tão esperado semestre, o 8°. Como todo esforço tem sua recompensa, a ESPM presenteia os alunos de Comunicação do último semestre com apenas uma matéria. Isso mesmo. Só precisarei ir uma vez na ESPM e me preocupar com uma única matéria – que tem como objetivo orientar o trabalho de conclusão de curso (PGE).
Serão meses onde eu e meu grupo poderemos nos dedicar completamente ao PGE da V.ROM e transformá-lo em um dos melhores PGEs que a ESPM já viu!
de volta à brokeback
Postado por antonio//jr como Pessoal em 9 de novembro de 2006
OBS.: RECOMENDADO PARA QUEM JÁ SABE O FINAL DO FILME.
Um dos presentes de aniversário que recebi do Alê foi o livro de Annie Proulx com o conto que deu origem ao filme Brokeback Mountain. Ler o conto me fez relembrar porque saí triste do cinema, ao acabar o filme.
Minha tristeza era muito maior do que o simples fato de Jack Twist morrer. Era algo muito além. A morte de Jack e a vida que Ennis levava me deixava angustiado. A mensagem que o filme me passou vai muito além do amor de dois homens caipiras americanos. O filme mostra o quão pouco evoluímos.
Fico me perguntando se algum dia as pessoas poderão ser realmente felizes pelo que são, simplesmente por não seguirem valores pré-estabelecidos na sociedade e que não faz sentido nenhum. Se você não é branco, bonito, hetero e tem um bom emprego, a sociedade irá te discriminar de alguma forma. Isso é irritante.
Mais especificamente pelos gays, as coisas estão muito longes de mudarem. No Brasil, a maioria das pessoas associam gays com homens que se vestem de mulher, homens que são afeminados. Cacete. Que piração. O seu filho, o seu primo, o seu melhor amigo, qualquer um pode ser gay. Ser gay não está na roupa, no jeito de andar, na voz. Ser gay está dentro de cada um e, por favor, não digam que é uma “escolha”. Os gays nascem assim. Ser gay não é como escolher o jeans que você vai colocar no dia seguinte. E uma pergunta: se realmentef osse uma escolha, quem iria escolher por algo que será fruto de discriminação? Que será reflexo de uma batalha contra milhões de demônios internos para a própria auto-aceitação?
É muito fácil todo mundo apontar e dizer, “bichinha”, “viadinho”, mas ninguém sabe a sensação que é quando você descobre que é “diferente”, quando você se olha no espelho pela primeira vez e diz, “meu Deus, eu sou gay”.
Voltando à Brokeback, os gays não querem ter direitos além dos heteros. Os gays querem ter direitos iguais. Os gays querem casar, construir uma família, serem felizes. Os gays querem ser aceitos. Por que os heteros podem e os gays não? Quem disse que é errado?
Quando as pessoas vão parar de se esconder, de se enganarem, de viverem uma vida que não pertence à elas simplesmente para serem aceitas?
Quando será que o caráter, as atitudes, a personalidade de uma pessoa vai dizer mais do que o carro que ela tem, as roupas que ela usa, ou com quem ela dorme todas as noites???
Tudo isso me leva de volta à Brokeback onde a dor que cada gay sente com o preconceito chega muito próximo à dor da morte de Jack Twist.
renascimento
Postado por antonio//jr como Pessoal em 6 de novembro de 2006
22 anos. Há 1 ano, eu não imaginaria que minha vida seria como é hoje. Há 4 anos, então, não imaginava 1/10 do que ela é. Sou novo mas sou muito grato por tudo o que minha vida me ofereceu e oferece.
Tenho a sorte de ter uma mãe excepcional, irmãs fantásticas, um amigo-companheiro sensacional e um grupo de poucos mas amigos muito especiais.
Completo 22 anos de história que foram construídos com um pouco de cada um que já passou pela minha vida. É no dia de hoje que comemoro o verdadeiro ano novo! O meu ano novo. Nesse dia que faço o balanço da minha vida, do que conquistei, onde errei, o que quero pro meu futuro! É o meu renascimento. Presentes são sempre bons de receber! Mas, tenho a sorte de ter presentes que ninguém jamais poderá comprar!
Feliz aniversário pra mim!
o fantasma da ópera
Postado por antonio//jr como Pessoal em 5 de novembro de 2006
Amanhã, 06/11, é meu aniversário. Dia 07/11 é a vez do Alê.
Como presente de aniversário pro Alê, dei um ingresso para assistir ao Fantasma da Ópera e, lógico, com direito a acompanhante – eu! Foi minha 2ª visita ao Teatro Abril – a primeira aconteceu há alguns anos, quando ganhei do Alê ingressos para assistir “A Bela e a Fera”.
Não sei se era em conseqüência da ocasião especial, mas tudo parecia perfeito. O ar sombrio e forte do musical era ao mesmo tempo calmo e muito romântico. Os protagonistas já tinha rostos familiares pois haviam trabalho no musical “A Bela e a Fera” e ainda não tem como não ficar babando. Eles cantam perfeitamente e com uma força incrível. Mas, visivelmente, parece tudo muito simples e natural para eles, como escovar os dentes, que não requer habilidade ou preparo algum!
Tudo estava perfeito. Ficamos muito próximo do palco e podíamos ver as expressões nos rostos deles! Sensacional! Foram 2h40m que passaram voando e deixaram com um gostinho de quero mais!
O Fantasma da Ópera
Av. Brigadeiro Luiz Antônio, 411 – Bela Vista
São Paulo – SP
(11) 6846-6060
http://www.teatroabril.com.br/
mater
Postado por antonio//jr como Pessoal em 15 de outubro de 2006
Minha mãe se chama Elisa, nasceu em 1949 no interior da Paraíba. Durante a infância enfrentou a rígida educação de uma família tradicional do interior. Meu avô Josias era muito severo e minha avô Raimunda, como todas as mulheres da época, aceitavam as imposições dos maridos. Minha mãe sempre quis estudar, ter um futuro promissor. O meu avô a proibia mas ela o fazia escondido. Foi pega, e castigada. Ela já não agüentava mais a vida que tinha e com 9 anos foi embora de casa. Trabalhou como doméstica em diversas famílias. Na adolescência ingressou na carreira de modelo e na televisão. Participava de desfiles, foi Silvete, fez figurações em algumas novelas.
Um pouco mais tarde conheceu quem viria a ser meu pai, Marcello. Minha mãe o amava demais, embora minha avó paterna, Virginia, fosse contra a união dos dois. Talvez ela devesse ter percebido os sinais.
Eles ficaram juntos por muito tempo até o casamento. Meu pai, como grande maioria dos machões da época, não queriam que suas esposas trabalhassem e impôs à minha mãe que para casar, ela teria que abandonar a carreira. Minha mãe, pelo grande amor que tinha, abandonou a carreria e decidiu ser esposa.
Durante o tempo em que ficaram juntos, minha mãe e meus avós paternos se dedicaram ao máximo para o sucesso do meu pai. Minha mãe, por diversar vezes, deixava de comer para que ele comesse. Os esforços deram certo. Meu pai construiu uma carreria bem sucedida, trocando o cargo de office-boy por um grande cargo na empresa em que trabalhava.
Minha mãe tinha problemas para engravidar e tentou diversos tratamentos. Felizmente conseguiu dar à luz a 2 crianças saudáveis e perfeitas. Mas, nem tudo foi flores. O primeiro filho faleceu no dia em que nasceu por problemas respiratórios em conseqüência de uma gravidez complicada. Ele se chamaria Carlos Eduardo e hoje teria seus 32 anos. Em seguida, minha mãe deu à luz a Fernanda, que hoje tem 25 anos. Em seguida, uma nova perda, minha mãe perdeu o que seria sua segunda filha. Porém, ela continuou tentando, em em 06/11/1984 eu nasci. Depois do meu nascimento minha mãe tentou novamente e pela última vez engravidar. Conseguiu, mas sofreu um aborto natural pouco antes de nascer.
Durante os anos de casada minha mãe se dedicou inteiramente a meu Pai, minha irmã e eu. As nossas vontades eram as vontades dela. E ela o fez com orgulho e felicidade. Graças ao sucesso profissional do meu pai, minha mãe pode colher os frutos de tantos anos de esforço e pode nos oferecer uma vida estável. Porém, em 1990 dois acontecimentos marcam a vida da minha mãe e as nossas: o falecimento da minha avó Raimunda e a separação dos meus pais.
O fim do casamento dos meus pais foi um alívio. Não agüentava mais vê-los brigando e não entendia a agressividade gratuita do meu pai. Para evitar isso, quando o casamento já está por um fio, minha mãe fazia com que eu e minha irmã fossemos dormir antes de ele chegar. Ficava dias sem ver meu pai. Enquanto, minha mãe sozinha enfrentava os fantasmas do fim do casamento. Meu pai dava as velhas desculpas de que ia jogar “squash” à 1 hora da manhã e minha mãe recebia telefonemas de uma mulher insuportável que ficava a ameaçando e dizendo besteiras. No carro do meu pai minha mãe notava cabelos e um perfume estranho. Um fim de casamento decadente.
Eu ainda não tinha completado 6 anos e minha irmã ainda tinha 9. Naquele momento a vida da minha mãe desabou. Ela já tinha 42 anos e se via completamente perdida entre um turbilhão. O fim do casamento representava o fim da vida dela. Mas, bravamente, minha mãe se esforçou e vestiu uma armadura para que nós não vissemos o seu sofrimento, mas era em vão. Minha mãe havia se tornado uma pessoa infeliz e sem perspectiva, mas mesmo assim lutava para mostrar a mim e minha irmã que estava tudo bem.
Nos anos seguintes minha mãe se endividou para que nada faltasse para a gente, se humilhou. Tentou se matar em 1992 mas por um milagre, no dia em que isso ia acontecer, uma conhecida de uma amiga dela apareceu em casa e a confortou.
Em 1993 ela acolheu o anjo que faz parte de nossas vidas, minha irmã Beatriz, que hoje tem 13 anos, é extramemente inteligente e tem o dom de desenhar que deixa qualquer um babando. No mesmo ano minha mãe trouxe minha prima Priscila para morar com a gente.
Mas, até 2001 passaríamos pelos piores dias de nossas vidas. Estávamos todos em clima de guerra, no fundo do poço. Lembro dia em que não tínhamos mais nada nos armários para comer apenas um pacote de macarrão e um vidro de alcaparras. Ainda consigo lembrar do rosto triste da minha mãe cozinhando. Ficamos meses sem pagar luz, água, telefone, iptu, nossa casa foi notificada de leilão. Até então meu pai e esposa dele humilhavam muito a minha mãe, dizendo que ela era uma inútil, folgada, espaçosa. Ela simplesmente chorava. Eu já não agüentava. A guerra da minha mãe era a minha guerra. Enfrentei meu pai e sua esposa e não me arrependo. Não era justo o que faziam com minha mãe.
Felizmente, o ano de 2001 seria o último pior ano de nossas vidas. Vendemos nossa casa, mudamos para um apartamento menor, as brigas entre nós e com meu pai viriam a acabar. Minha mãe estava radiante. Ela se desvinculava da casa que serviu de palco para suas maiores tristezas. E realmente as lágrimas ficaram naquela casa.
Estamos nesse apartamento há 5 anos e estamos tendo os dias mais felizes de nossas vidas. Minha mãe está calma, feliz, em paz. Ela que desde pequena passou por diversas barreiras, agora pode ficar mais tranqüila. Ela ainda continua se dedicando a mim, à Bia e à Priscila. A Fernanda, em 2004, foi morar na Austrália e está lá até hoje.
Semana passada minha mãe recebeu um enorme presente – um tratamento que pode trazer a estabilidade de um problema de saúde que ela sofre há mais de 23 anos, a Psoríase.
Eu amo minha mãe mais do que tudo nessa vida. Ela me ensinou como enfrentar as piores barreiras do mundo, me ensinou a ser uma pessoa boa, me mostrou virtudes que se não fosse por ela jamais as teria. Ela me abraçou e me deu conforto nos momentos mais difíceis. Ela não foi simplesmente uma mãe. Ela foi uma mãe, um pai, avós, tios, tias. Ela foi o mundo pra mim. E ainda é. Tudo o que faço hoje é nela em quem eu penso pois ela merece todas as melhores coisas do mundo.
Mater, mãe, mother são apenas palavras. O que elas significam para mim eu não teria como dizer. Minha mãe é a melhor e mais fantástica pessoa desse mundo todo! Ela é uma vencedora! Ela é uma heroína! Ela é minha mãe!!