10 anos de sonhos. As unhas roídas. A imigração. O impedimento. A corrente quebrada, a mala revirada, o xingamento proferido. O choro contido. A vontade de ir embora. Pisar em Londres foi um choque, literalmente. Uma humilhação. Um balde de água fria depois de 10 anos esperando pelo então dia de chegar a terras inglesas. Por algumas horas e até acordar, um ódio me possua e a cidade ficou feia, perdeu a graça. Chegar ao apto. foi um alívio. Dormir: nossa, a salvação pois nada como uma fucking good night pra relaxar os ânimos e me permitir viver o sonho tão aguardado.
O sotaque inconfundível, as bochechas rosadas, os tantos metros de altura, ônibus de dois andares, tijolinhos por todo o canto, phone booths.
Londres é uma cidade jovem, na essência. As pessoas têm uma velocidade e vida acelerada. Às 7pm os pubs estão lotados, decorados por pessoas de todos os gêneros e profissões. No tube (metrô) “mind the gap please” e se fizer algo errado e for loira, não vai adiantar pedir desculpas porque “you’re still blond stupid”. É uma cidade desbocada, onde tudo se mistura e fica harmônico. São pessoas evoluídas e diretas, vivendo em meio a um espaço clássico. Não se assuste ao ver um engravatado com piercing no nariz ou um senhor tatuado com barbicha.
As pessoas são o que são e não ligam pros outros.
Há muito tempo olho ao meu redor em São Paulo e no Brasil, e me sinto completamente deslocado. Sabe quando você não se sente parte de nada? Pois é. E, sempre que via Londres, seja através da internet, música e filmes, imaginava que lá encontraria identificação. E eu estava certo.
Próxima parada? iG.